Enquanto houver sol…

Sun III

O sol é com certeza o componente principal no desenvolvimento da uva. Nele se concentra a vida e a evolução para a concentração de todas as propriedades que farão da uva, a matéria prima dos bons vinhos.

A maturação das uvas talvez seja a parte mais importante em todo o processo para a elaboração dos vinhos. Sim, porque sem o devido amadurecimento não há o açúcar e sem o açúcar não há a transformação em álcool.

Olhar o céu perto da colheita, sentir as nuvens ou a aproximação de chuvas, tudo isto poderá favorecer a que a qualidade final esteja de acordo com o teor de açúcar na uva, sem o “inchaço” causado por uma eventual precipitação de água.

Tem a questão também do açúcar residual (Pós-fermentação) que pode ao gosto do enólogo, diferenciar seu vinho, trazendo a maciez ou um sabor por ele desejado.

Outro fator é o índice de acidez desejado, também influenciado pela qualidade da uva na maturação.

Claro, o cuidado para que a uva não amadureça demais também é uma preocupação. Imagine a uva já no transporte começar seu processo de fermentação. Bagos “estourados” e calor seria uma combinação pouco desejada.

Fatores que só tendem a estragar a qualidade dos vinhos.

Sun

A exposição ao sol revela o cuidado no plantio, quando as folhas são ou não podadas para que absorvam a luz e processem seu crescimento.

Ao observarmos a luz que incide nas plantações pegadas a rios, observamos que além da incidência no próprio parreiral, há a incidência indireta proveniente da reflexão: Sol, rio, parreiral.

Há de se observar o “terroir” em cada caso e a combinação destes fatores para a obtenção de melhores e maiores resultados.

Ou seja, enquanto houver sol, teremos bons vinhos!

Sun II

 

 

 

 

 

 

 

Eu provei e chorei… 13 Vinhos do Porto. De 1998 á 1900. By “Andresen”

Todos os vinhos provados

Não, não estou brincando. Aconteceu ontem na Expovinis 2012, em degustação programada com o produtor Andresen, de Portugal. Tive a grata, a maravilhosa surpresa de poder provar 13 Vinhos do Porto, em degustação comentada e apresentada por Álvaro Van Zeller. Um privilégio!

Algo para ser lembrado e compartilhado a vida toda, coisa que só o vinho pode proporcionar.

Em cada safra, em cada gole, a mente viajava, imaginava os anos, o trabalho dedicado, a colheita, todo o processo e principalmente todas as pessoas envolvidas ao longo dos anos.

Algo que me toca a alma, os sentimentos, algo mágico e único, especial e verdadeiro.

Não tenho palavras que descrevam tudo o que se passou em minha mente, nas minhas memórias enraizadas ao longo dos anos, e na história da minha vida, das nossas vidas, do nosso mundo…

Eu sorri, eu chorei por dentro, como uma criança que recebe um carinho pela primeira vez… e se delicia.

Sensações que ainda ficarão presentes durante muitos anos.

Nem consigo chegar na parte mais técnica, porque ali estava a prova, de que o vinho é “vivo”, tem vida, evolui, se torna outro.

Ali puxei por toda a memória olfativa, mas também associada á vida como um todo.

Em maior ou menor grau, sei que boa parte destas sensações, foram percebidas por todos os presentes. É como se não acreditássemos no que estava acontecendo, não era real… mas era.

Fomos levados safra á safra, detalhe por detalhe, em cada vinho. Suas particularidades únicas, seu conceito, aquilo que eu chamaria pela primeira vez, de “espírito vivo”.

Deixo este meu pequeno depoimento, para que cada apreciador de vinhos possa saber, que tudo me pareceu muito maior do que é, do que era antes a minha idéia sobre vinhos. E ao mesmo tempo, no envolvimento, perceber que tudo na verdade é bem simples, algo que se consagra na ligação do homem com o homem, da mente com o espírito, do corpo com o palpável e palatável, em uma confluência sinérgica, única e para poucos.

Abaixo as safras provadas e algumas considerações:

– 1998: Não foi um ano Vintage, mas tem boa acidez, não é encorpado, e pelas informações passadas foi difícil chegar á temperatura certa. Aromas de frutos secos como amêndoas, avelãs e um frescor citrino, limão, casca de laranja.

– 1997: Não se percebe o álcool de 20°. Foi um ano bem quente, grande frescor, grande final de boca.

Obs: 1997 e 1995 possui um caráter mais “gordo”, alta qualidade, grande volume de boca.

– 1992: Achei sutilmente menos doce, embora na comparação com os outros, fosse quase idêntico. Elegante, fino e fresco.

– 1991: Colheita. Grande volume de boca, grande estrutura.

Obs: 1992 e 1991 não houve acordo sobre qual seria o melhor ano. Uma “briga”, no bom sentido da palavra.

– 1982: Um vinho de corpo e volume, “gordo”, aveludado.

– 1980: Belíssimo exemplar do vinho, Boa estrutura, complexo, elegante, robusto.

– 1975: Um “falso” Vintage, ou um Vintage “político”. Quase chegou lá. Sedoso, elegante, estruturado e equilibrado.

– 1968: Foi um ano difícil, mas é impossível não gostar.

– 1963: Um ano maravilhoso! Sensacional! Elegante, robusto, ótimo com charutos. Um dos grandes anos do vinho do porto.

– 1937: Um bom ano. O único da prova em garrafa original, (vide os sedimentos e borra na foto). Tem um “Off Flower” nos aromas. Elegante.

– 1910: O que foi isso! Fantástico, sem palavras! Inesquecível! Presente, vivo, elegante, estruturado, fino, robusto.

Safra: 1900

– 1900: Diante disto tudo, eu só posso me calar… Chorar e recordar. Simplesmente um vinho com corpo, alma e espírito!