Livro que aborda Culinária Indígena reúne 25 receitas tradicionais e revela como a alimentação fortalece a memória, a identidade e a espiritualidade dos povos originários
O livro de receitas, Tembi’u Guarani: Culinária Indígena chegará ao público em momentos especiais: o lançamento institucional acontece no dia 13 de agosto, na Escola da Cidade, zona central de São Paulo, já no dia 15 de agosto, a obra será celebrada em sua origem, durante um encontro na aldeia Tekoá Pyau, na zona oeste da capital.
Nos próximos dias 17 e 19, mais dois encontros marcarão o lançamento em outras regiões. Idealizada pelo Instituto Família Barrichello (IFB), a publicação nasce como um registro da memória, da ancestralidade e dos conhecimentos do povo Mbya Guarani, reunindo 25 receitas tradicionais organizadas por Ará Mirim Yvoty, professora, ativista e liderança indígena da comunidade.
Mais do que preservar práticas culinárias, o livro valoriza saberes transmitidos entre gerações e reafirma a alimentação como expressão da identidade, da cultura e da relação do povo Mbya Guarani com o território.
A obra integra o Projeto Karu, iniciativa do Instituto voltada à promoção da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável. Desde 2024, o IFB direciona sua atuação para contribuir com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2 da ONU – Fome Zero e Agricultura Sustentável, incentivando boas práticas de agricultura familiar, valorizando os conhecimentos das comunidades tradicionais e promovendo a alimentação como um direito humano, uma prática cultural e um instrumento de transformação social.
Ao registrar esses saberes, o livro reforça que, para os povos originários, a alimentação vai muito além da nutrição: representa identidade, espiritualidade, pertencimento e conexão com a terra.
Entre as receitas apresentadas estão preparos tradicionais como o Kavure (massa assada na fogueira e servida com carnes, peixes ou mel), o Mbojape (bolinho de farinha de milho preparado entre as brasas) e o Jopara (prato à base de feijão com arroz ou canjica), que é um símbolo da alimentação cotidiana. A publicação também apresenta bebidas típicas como o refresco de Mel (Eí) e o Pindá guapytã, preparado com a fruta do jerivá.
Durante os eventos de lançamento, os participantes também poderão acompanhar uma oficina de preparo do Mbeju, uma iguaria tradicional feita com farinha de milho e assada na frigideira. Além de conhecer o modo de preparo, o público terá a oportunidade de experimentar o prato, e na sequência, participar de um bate-papo com Ará Mirim Yvoty, organizadora da publicação, que compartilhará a importância da preservação desses saberes para as novas gerações.
“Nossos antepassados transmitiam esses conhecimentos pela oralidade. Registrar essas receitas é uma forma de garantir que nossa cultura e nossa história continuem vivas para as próximas gerações. Este livro reúne alimentos que fazem parte do nosso cotidiano e preparos que aprendi observando meus avós, minha mãe, minhas tias, minha sogra e outros parentes. Hoje compartilho esse conhecimento com minhas filhas e com todos que desejam conhecer e valorizar nossa cultura”, afirma Ará Mirim Yvoty, organizadora da publicação.
Para Claudia Alexandre, jornalista, pesquisadora acadêmica e coordenadora geral do projeto, a publicação representa um convite para refletir sobre a alimentação como patrimônio cultural. “O livro nasce para preservar conhecimentos que, durante séculos, foram transmitidos pela oralidade. Registrar essas receitas significa fortalecer a identidade do povo Mbya Guarani, valorizar sua relação com a natureza e mostrar que a alimentação também é patrimônio cultural. Esperamos que essa iniciativa inspire outras comunidades a registrarem e compartilharem seus próprios saberes.”, destaca.
Ao longo das páginas, o leitor também conhece o significado cultural e espiritual de ingredientes como o milho tradicional (avaxi ete’i), a mandioca, o jerivá, o feijão e as frutas nativas, compreendendo como cada alimento está ligado à cosmologia guarani, aos rituais, à preservação das sementes e ao modo de vida da comunidade.
O lançamento será realizado em diferentes espaços entre São Paulo e Grande São Paulo, aproximando o público da riqueza da culinária indígena e reforçando a importância da preservação dos conhecimentos tradicionais como parte da diversidade cultural brasileira.
SERVIÇO
Lançamento de “Tembi’u Guarani: Culinária Indígena”
13 de agosto, às 19h – Escola da Cidade
Rua General Jardim, 65 – Vila Buarque – São Paulo (SP)
15 de agosto, às 10h – CECI Aldeia Tekoá Pyau
Rua Comendador José de Matos, 386 – Jaraguá – São Paulo (SP)
17 de setembro, às 10h – Escola Mario Quintana
Rua Ismael Manoel da Silva – Jardim Las Vegas – Guarulhos (SP)
19 de setembro, às 10h – CEI Ermelino Matarazzo
Rua Rainha do Bosque, 210 – Vila Santa Inês – São Paulo (SP)
Sobre o Instituto Família Barrichello
Fundado em 2005 pelo ex-piloto de Fórmula 1 Rubens Barrichello, o Instituto Família Barrichello (IFB) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua na promoção da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável.
Com mais de 20 mil famílias beneficiadas por seus projetos, o Instituto desenvolve iniciativas voltadas ao fortalecimento de comunidades indígenas e quilombolas, promovendo a soberania alimentar, a agricultura sustentável e a valorização dos saberes tradicionais. Em alinhamento ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, da Agenda 2030 da ONU, o IFB contribui para a erradicação da fome por meio de ações que fortalecem a segurança alimentar e a inclusão social. Sua atuação é orientada pelo compromisso de construir um futuro mais justo e sustentável.









