World Wine Experience, um mundo de vinhos e sensações!

Na segunda feira (16/04) estive na Casa Fasano, á convite da World Wine, para o seu tão esperado evento do ano, em um mês que tivemos muitas novidades e muitos, mas muitos vinhos de qualidade.

Começando pela organização do espaço, que foi impecável, e caminhando para o salão de degustação, tudo, mas absolutamente tudo estava em ordem. Na sala contígua, petiscos variados, queijos e frios, entre outros, contrabalaçavam os vinhos em cada momento.

Evento bem organizado, espaço aconchegante, lugar elegante e principalmente, conforto para se degustar tranquilo.

Os vinhos, de variedades imensas, muitos produtores, muitos nomes (e não só nomes), mas excelentes vinhos para todo tipo de paladar.

Comecei pelos espumantes e fui aos poucos descendo pelos brancos e roses, até chegar nos tintos , tintos mais encorpados, e por último os de sobremesa e vinhos do Porto.

Mas vamos falar dos vinhos.

Billecart-Salmon, empresa produtora de Champagne, com vários prêmios internacionais, que nasceu em 1818 e que já está em sua 7ª geração no comando dos negócios e dos vinhedos.

Provei dois tipos diferentes:

– Billecart-Salmon Brut Reserve, que levou 89 pontos do Parker e 91 da Wine Spectator.

– Billecart-Salmon Brut Rose, que levou os mesmos 89 pontos do Parker e 90 pontos da Wine Spectator.

Aproveitei e provei o Chateau Roubine Cru Classe Rosé, que me agradou muito. Leve, aromático, proveniente da cidade de Lorgues. Um vinho inesquecível ao meu paladar.

Provei na mesma mesa o Franciacorta DOCG Cuvée Brut, do produtor Bellavista, um vinho que é considerado pelos especialistas, como um verdadeiro champagne italiano. Muito elegante, fresco e aromático. Recebeu nada mais, nada menos do que 91 pontos do Parker.

Da Alemanha, impossível não mecionar todos os vinhos deste produtor, Weingut Clemens Busch. Produtor que adota práticas orgânicas a mais de 20 anos, e que nos últimos anos adotou a biodinâmica como prática na condução do plantio e dos vinhedos.

Os vinhos são muito complexos e com grande presença mineral, que expressam o terroir.

Provei quatro vinhos:

-Riesling “Vom Rotem Schiefer” 2006

-Riesling “Rothenpfad” Spätlese 2006

-Riesling “Vom Roten Schiefer” Auslese 2006, de sobemesa

-Riesling “Falkenlay” Auslese 2006, de sobremesa

A empresa está na quinta geração e é um dos produtores de maior ascenção no Rheingau.

Todos os vinhos maravilhosos e imperdíveis.

Da Itália destaco dois produtores, o Feudi di San Gregório, da Campania, e o Castelo Banfi, da Toscana, este último, do qual sou fã incondicional.

Feudi di San Gregório:

Provei cinco vinhos, destaque para os Falanghina e Aglianico Rosado

Castelo Banfi

Provei quatro vinhos, dos sete vinhos presentes para degustação, são eles:

– Rosso di Montalcino DOC 2009

– Brunello di Montalcino DOCG 2006

– Excelsus Sant`Antimo DOC 2007

– Florus  Moscadello di Montalcino DOC 2007 (500ml), de sobremesa

Todos os vinhos pontuados  e maravilhosos.

A lista seria interminável, bem como o evento foi imperdível. Mas no ano que vem tem mais.

O dragão chinês e os vinhos de Bordeaux

O empresário chinês chegou à França e almeja os melhores châteaux da região. No Ano do Dragão os vinhos de Bordeaux ainda serão os mesmos? 

Por Vinho dos Anjos 

Os vinhos franceses são afamados por carregar a sutileza, o detalhe e a harmonia em sua elaboração. Cada safra é cuidadosamente medida, no tempo, nas chuvas e precipitações, no sol e no amadurecimento das uvas.

Séculos de tradições familiares, passadas de pai para filho, refletem uma organização linear, algo matemático e preciso, admirado em todo o mundo em se tratando de vinhos franceses. O clima é incontrolável, tudo bem. Tanto é que o enólogo, mesmo com todas as “correções” possíveis após a colheita, já sabe que a chuva “fora de hora” ou a chuva esperada que não veio, colocará o seu vinho numa escala maior ou menor de qualidade. O céu é constantemente “vigiado” e, ao menor sinal de precipitações, tudo começa a ser estudado.

Na colheita, é grande o respeito pelo colaborador que neste período tem em suas mãos a joia preciosa, o fruto que definirá o néctar dos deuses, o vinho francês em sua mais nova e próxima safra.

As grandes redes varejistas da Europa e dos Estados Unidos, representadas pelos seus “agentes de degustação” e negociantes, vão a Bordeaux provar os vinhos e avaliar a safra em termos de valores compondo o seu preço final junto ao produtor e fixando o valor pela possível aceitação nos grandes mercados mundiais.

A essência adquirida ao longo dos séculos de cultivo e os valores e raízes de cada produtor, fixam-se no resultado final do vinho, como a impregnar sua marca e seu registro na questão intangível e sutil da história de cada família, de cada nome e marca, principalmente na França.

Foi este cenário que atraiu os olhos da China. Com gosto apurado e conhecimento de mercado adquiridos ao longo dos anos, os chineses vislumbram a França – mais precisamente a região de Bordeaux – como um grande negócio para seus consumidores em ascensão financeira. E os principais alvos de seu interesse são os châteaux clássicos e localizados nas melhores regiões vinícolas da região.

Tendo aprendido a degustar e apreciar os vinhos de qualidade inegável, e com a crescente expansão dos negócios em nível mundial, a China estende seus horizontes nos mais afamados e pontuados vinhos, suas vinícolas e Chateaus.

Já faz alguns anos que ouvimos falar sobre as aquisições na França, de produtores, vinhos e renomados Châteaux. Neste momento de grande crise nos países europeus, com altíssimas taxas de desemprego e ondas de desequilíbrio financeiro, as tradições seculares dão lugar a uma nova perspectiva, que muda valores, heranças e história, levantando dúvidas e incertezas tanto em apreciadores dos vinhos de Bordeaux espalhados pelo mundo, quanto nos próprios franceses, ainda os grandes consumidores dos vinhos lá produzidos.

A China também tem suas tradições seculares mas, ao longo da história, não percebemos em sua expansão o respeito pelas tradições dos outros países.

Quando se trata de negócios, a parte monetária não respeita divisas, tradições ou hábitos. O empresário chinês, numa crescente somatória digna do melhor capitalismo, e num verdadeiro antagonismo ao regime adotado pela grande potência, chegou à França.

Não obstante todas as medidas protecionistas adotadas pelo governo francês é inegável que veremos mudanças significativas no cenário que abrange os vinhos franceses, particularmente os de Bordeaux.

 

O dragão bebe vinho

A China, incluindo Hong Kong, tornou-se o maior importador mundial de vinhos de Bordeaux em 2010, trazendo 33,5 milhões de garrafas para o país, o que custou € 330 milhões de acordo com dados do CIVB (Conseil Interprofessionnel du Vin de Bordeaux).

Bordeaux responde por cerca de 30% de todas as importações de vinhos franceses para a China, e os últimos números refletem um aumento de 98% para a China e de 126% para Hong Kong. Os números vêm crescendo, assim como os leilões de vinhos no país, com sucesso de 100% nas vendas e aquisições de produtos nunca antes imaginados. Informações como essas revelam a dimensão do mercado, suas perspectivas e o tamanho do capital envolvido.

Enquanto isso, as manchetes alarmistas na França sugerem que o mercado está ficando perigosamente dependente de um só país, com seus abastados investidores e apreciadores.

O governo da França dita regras para proteger o mercado, incluindo barreiras protecionistas, mas a intensão do grande investidor chinês é encurtar a cadeia entre o produtor e consumidor, uma vez compradas as propriedades.

O dragão vai às compras

As primeiras compras de terras e châteaux na França pelos chineses começaram em 2008, com o Château Latour Laguens. Em março de 2011, foi a vez dos mais prestigiados Cru Bourgeois, nas propriedades de Château Ducos Laulan, no Médoc.

Hoje já existem mais de doze châteaux bordaleses nas mãos dos chineses, e vários outros em negociações. E a venda dos vinhos – outrora distribuídos para 40 países – passou a ser totalmente focada na China. Até mesmo os rótulos e embalagens passaram por uma adequação para atender o mercado chinês em ascensão.

Como aconteceu em outros mercados, uma estrela de cinema, jovem, consagrada, rica e muito popular na China, Zhao Wei, comprou uma propriedade em St. Emilion. Notícias revelam que a atriz pretende manter a equipe atual no processo de vinificação do Château e que vai investir na modernização da propriedade.

É verdade que existem produtores franceses em grandes apuros financeiros, e que o “Dragão Chinês”, surge como a grande “tábua de salvação” em meio à grande crise instalada na Europa e nos países vizinhos. Notadamente, bens de luxo vêm sendo avidamente procurados pelos abastados chineses, com seus novos hábitos de consumo e sedentos por novidades. Vislumbra-se um novo “status social” e o vinho é um bem facilmente adquirido e que está no alto da cadeia dos produtos de luxo.

Que fique claro que não há neste texto preconceito algum em relação ao povo chinês, sua vasta cultura, seu país e suas tradições. Trata-se de uma pausa para analisar o significado de uma expansão de mercado e do alto “poder de fogo” da China para os negócios e investimentos.

As perguntas que não querem calar são: “ O vinho francês será o mesmo com novos donos?” “Até que ponto as tradições regionais e familiares, serão mantidas?”

Veremos vinhos franceses by China, numa nova concepção em vendas e distribuição?

Perguntas que só o tempo e os especialistas em vinhos poderão responder.

Mas lembre-se, 2012 é o ano do Dragão e este pode ser apenas o começo de uma nova concepção mundial para o vinho francês…

Ilustrações: Tony J. Kudo

 

Seminário: Bourgogne no Brasil para profissionais do vinho

Será um Wine Tour pelos vinhos da Borgonha e acontecerá em São Paulo, no dia 17/04 e no Rio de Janeiro, no dia 19/04.

O Seminário é somente para profissionais e as vagas são limitadas.

Em paralelo haverá degustação de vinhos, com 30 produtores.

Local:

Em São Paulo: Hotel Tívoli – Alameda Santos, 1437

No Rio: Hotel Sofitel Copacabana – Avenida Atlântica, 4240

Horário: Seminário das 14:30 horas ás 16:30 (Vagas Limitadas) – Degustação: Das 14:30 ás 19:00 horas

Os vinhos de Bordeaux “aceleram” conquistando o Brasil e o público

Agora que todos os meus amigos, blogueiros e jornalistas já falaram deste evento, vou fazer minhas considerações.

Realmente, tivemos uma oportunidade única e especial neste último dia 07/03. Nas provas que se seguiram de vinhos da safra 2009, o resultado foi no mínimo gratificante.

Apesar da safra, em minha opinião modesta, ainda ser jovem e determinar longevidade, o contato com os produtores, experts e apreciadores não poderia ter sido melhor.

Vinhos expressivos, alguns delicados, outros mais tânicos, vários ainda pedindo tempo na garrafa, outros prontos para serem sorvidos devagar, quase em pensamento…

Bem se vê que a França ainda domina o vasto mundo dos vinhos, na tradição e no cuidado, na apresentação e no resultado final.

Oportunidade que sem dúvida o mercado apreciou e aplaudiu, tanto pela iniciativa, como pela elegância deste evento.

Mas em se tratando dos vinhos, vamos citar alguns.

O Angelus, do Château Angélus se apresentou exatamente como eu esperava, elegante, harmonioso, nos aromas e na boca, com um final marcante. Como a própria ficha técnica diz, é um vinho que reflete a paixão do enólogo em toda a sua essência, em oito gerações.

Era de se esperar que o Blog Vinho dos Anjos tivesse com este vinho, uma identificação. Que não ficou apenas no nome, mas em toda a complexidade apresentada. É uma das “jóias” de Saint-Émilion.

Corte das uvas 50% Merlot, 47% Cabernet Franc e 3% Cabernet Sauvignon, estagiando de 100% de 18 a 24 meses em barricas novas de carvalho francês.

Mas é tão difícil falar especificamente de um só vinho, que seria injusto da minha parte, citar apenas alguns, no universo de coisas boas provadas.

Deixo assim algumas fotos abaixo, que refletem alguns vinhos e o sucesso de público neste grande evento.