Vinhos franceses, um paraíso na terra!

IMG_3381

Falar de vinhos franceses de qualidade para mim é algo redundante. Sim, porque é sempre uma viagem em aromas, no paladar e na satisfação do momento.

Sensações únicas e que são dificilmente igualadas, em minha opinião.

Não estou falando de Bordeaux de consumo rápido e de pouca possibilidade para guarda, estou falando de vinhos que são muito acima da média e infelizmente, pouco acessíveis a cada um de nós.

Não vou criticar a política de comercialização de vinhos e muito menos os franceses. Como tudo, a comercialização sofre em função de produção, demanda e o nome da vinícola envolvido. Afinal, são grandes nomes de Bordeaux e grandes safras.

O potencial de guarda de vinhos desta categoria é inigualável. Pode se falar de espanhóis, de italianos, mas o meu gosto, apesar da descendência italiana, é pelos franceses e por Bordeaux.

IMG_3372

Estive em mais uma das muitas degustações deste ano. Desta vez no restaurante Zeffiro, degustação esta promovida pela Importadora Castel Studio, localizada em Porto Alegre e conduzida pelo francês Jerome Dumora (www.castelstudio.com).

IMG_3395

Provei quatro vinhos, sendo um branco e três tintos como segue:

– Reignac Branco 2009: Apelação Bordeaux Btranco. Composição 60% Sauvignon Blanc, 35% Semillon e 5% Muscadelle. Vinho leve, aromático, vivo, integrado, macio e equilibrado. Uma “jóia rara” dos vinhos brancos. Com alto potencial de guarda, mesmo sendo de 2009, sua longevidade se perde nos anos. Potencial de guarda por mais uns 4 anos.

Passa por 8 meses em barricas novas de carvalho francês.

Parreiras com 20 anos de idade. Faixa de preço R$ 160,00.

Enólogo Michel Rollan. Com 90 pontos do Parker.

– Grand Vin de Reignac 2004: Apelação Bordeaux Superieur. Composição 75% Merlot e 25% Cabernet Sauvignon. Vinho com aromas trufados, muita complexidade no nariz, macio e sedoso na boca.

Ótima acidez, toques herbáceos, porém leve e sutil. Um vinho pronto para ser degustado e que no tempo deve revelar ainda mais toda a sua complexidade e elegância.

Excelente potencial de guarda. Aguenta fácil mais uns 8 anos em garrafa.

Enólogo Michel Rolland. Parreiras com 41 anos de idade.

Passa por 18 meses por barricas novas de carvalho francês.

Um vinho exuberante com muita elegância e taninos macios.

– Animae 2008: Apelação Bordeaux Superieur. Composição 75% Merlot e 25% Cabernet Sauvignon.

Passa por 24 meses em barricas novas de carvalho francês.

Este vinho, bem como o seguinte, ainda não estão prontos para  se poder apreciar toda a sua complexidade, mas que demonstram alto potencial de guarda, na faixa de mais 15 anos.

Enólogo Michel Rolland, parreiras com 41 anos de idade.

IMG_3376

– Animae Grande Reserve 2008: Vinho que recebeu nada mais nada menos que 93 pontos de Robert Parker.

Complexo, intenso, frutado, com taninos concentrados. Novo porem sedoso.

Na faixa de R$ 500,00 a R$ 600,00. Composição 100% Merlot e passagem por 29 meses em barricas novas de carvalho francês.

Um vinho para pessoas sensíveis, pela personalidade, pelo alto grau de possibilidades de evolução na garrafa, definido pelos seus aromas intensos, sua fruta e sua complexidade já percebida no conjunto desta safra 2008. Um vinho de guarda e para ser lembrado em ocasiões futuras.

 

 

 

 

 

 

 

 

Caravana dos Vinhos Tricolores trouxe vinhos da França surpreendentes!

 

 

Já na sua segunda edição, este evento reuniu oito produtores franceses e mais de 60 rótulos em vinhos maravilhosos, no Hotel Renaissance em São Paulo, no último dia 02/10.

Com o patrocínio do Ministério da Agricultura da França, que com esta iniciativa busca aumentar a presença da França em 29 países, o evento foi um sucesso.

As importações de vinhos da França para o Brasil cresceram 50% nos últimos cinco anos, sinal de que o consumidor brasileiro vem se rendendo aos bem feitos e apaixonantes vinhos franceses.

Já no ano passado quando estive presente neste evento fiquei bastante impressionado pela qualidade e pela iniciativa.

Neste ano não foi diferente. Vinhos de altíssima qualidade e muitos produtores buscando uma importadora.

Destaque para o produtor Fréderic Curis (ainda sem importadora) e seus três vinhos:

Pouilly Fuissé 2011 / SaintVéran Terre-Noire 2010 / Bourgogne Rouge 2009

Proveniente de vinhedos com 12 hectares, sendo 2 de Pouilly-Fuissé, 7 de Saint-Véran e 3 da Borgonha, Mâcon-Village. Os vinhos brancos são todos produzidos no Château des Chailloux, em Davayé e uma parte dos tintos na segunda propriedade do Château, o “Clos d´Amélie”.

Davayé é uma pequena cidade localizada no sul da Borgonha. As vinhas são gerenciadas para promover a vida microbiana no solo e incentivar o enraizamento das vinhas, a clarificação é natural segue após a fermentação, apresentando a verdadeira expressão do terroir.

 

 

Como foi o Seminário e a degustação de vinhos da Borgonha em Abril

Não escrevi antes porque fiquei pensando como descrever o que tenho na mente, sobre o sabor e os aromas dos vinhos da Borgonha.

O Seminário foi muito bem apresentado, organizado e produtivo.

O Seminário: Organização e cuidado na apresentação

Contou com a tradução da Alexandra Corvo, e com um público focado e interessado.

Provamos oito vinhos, cuja lista segue abaixo.

– Bourgogne Blanc, Cevée des Forgets, 2010, Domaine Patrick JAVILLIER: Vinho branco. Muito mineral, porém com aromas contidos. Muita acidez, média persistência, na boca limão. Não permite envelhecimento, bom para consumo rápido.

– Bourgogne Hautes Cotes de Nuits, 2010, Domaine Philippe GAVIGNET: Vinho tinto. Aromas de groselha e leve herbáceo. Na boca sensação de leve adocicado, alta acidez e cassis. Um vinho ainda jovem. Depois de um tempo na taça, revelou-se mais complexo e completo.

– Pouilly-Fuisse, 2009, Domaine Pascal ROLLET: Vinho branco. Aromas de defumado, a fruta apareceu pouco. Na boca, a mesma sensação de defumado, boa acidez, glicerol abundante e bem perceptível.

– MERCUREY, 2009, Domaine du Château de CHAMIREY: Vinho tinto, frutas nos aromas. Na boca as frutas são menos presentes. Maior “rugosidade”, característica mais tânica, alta acidez.

– MEURSAULT 1er Cru, Genevrières, 2009, Domaine LATOUR GIRAUD: Vinho branco, grande complexidade aromática. Na boca é untuoso, elegante. Um vinho barricado.

– GEVREY-CHAMBERTIN 1er Cru, Cherbaudes, 2008, Domaine des BEAUMONT: Vinho tinto. Aromas de cereja, grande complexidade aromática. Cor rubi com notas de envelhecimento. Grande acidez.

– CHABLIS GRAND CRU, Valmur, 2009, Domaine Christian MOREAU: Vinho branco. Bem aromático. Na boca, menos complexo, mas com expressão da fruta, como limão, pera e abacaxi.

– CORTON GRAND CRU, Le Rognet et Corton, 2008, Domaine Michel MALLARD & Fils: Vinho tinto. Muito complexo nos aromas, intenso, harmonioso, grande sensação de herbáceo.

Fizemos uma viagem pela região, ressaltada por suas características de “Terroir” e aquilo que ouvimos ser os “Climats”, ou seja, a parte dividida, a parcela única de terra que reflete o conjunto do “Teroir”.

Seria a parcela de terreno, em toda as suas características e particularidades, de forma catalogada, bem definida e própria. Estes “Climats”, transformaram a região da Borgonha, em um mosaico a céu aberto, onde cada parcela reflete a característica própria, única e especial dos vinhos de lá provenientes.

Os vinhos da Borgonha refletem uma história, construída ao longo de 2000 anos, de riquezas, tradições eaprendizado, conquistas e excelência.

Hoje, a maior produção de vinhos da Borgonha, é de vinhos brancos, da uva Chardonnay (61%), depois vêm os tintos da uva Pinot Noir (30%) e os Crémants da Borgonha (8%) e 1% de roses.

Após o seminário, seguimos para a sala de degustação. Onde tivemos contato com os produtores, uma vasta gama de vinhos, interessantíssimos e únicos.

Destaco o produtor Château Villars Fontaine – Domaine de Montmain, representado pela figura cativante de seu proprietário.

Provei todos os vinhos deste produtor e gostei de todos. Destaco o Hautes Côtes de Nuits “Clos du Château” Grand Tradition. Um vinho branco muito complexo e completo. Grande corpo para um branco, muitos aromas, grande acidez, safra 2005

Não há como não gostar dos vinhos da Borgonha. Eles refletem realmente seu produtor, a características das principais uvas (Chardonnay e Pinot Noir), em um conjunto que reúne aromas sutis, alta acidez, leveza no corpo e frescor. Se é que seja possível definir o conjunto dos vinhos da Borgonha e particularidades, como um todo.