A chegada á Itália – Bolonha – Parte I

Falar da Itália é falar de paixão, uma paixão que está em muitos corações de brasileiros.

Surgiu mais uma vez a oportunidade de fazer esta viagem e com ela novas experiências enológicas e gastronômicas, além de uma bagagem cultural que se vai adquirindo ao longo do tempo. Muitas imagens e paisagens gravadas na memória.

A viagem mais uma vez se mostrou cansativa, não pelo prazer de poder visitar todos os lugares, mas pelo voo e avião que é algo complicado visto que tenho dificuldade em dormir em posição desconfortável. Mas sempre vale o esforço.

Fiz escala em Munich, na Alemanha e depois de 13 horas e meia, cheguei no destino, a Bolonha.

Coincidentemente encontro no aeroporto de chegada, uma senhora dinamarquesa com quem no início do ano degustei vinhos de um produtor quando participei do evento Buy Wine, em Florença. Inacreditável!

Após alguma conversa me falou que estava em visita á feira de vinhos Enológica, da qual participaria e me convidou para participar, também nos dirigimos para o mesmo hotel, o Vignete Condé, uma propriedade e vinícola localizada bem distante do centro e do aeroporto, mas em local lindo e delicioso.

Mas antes, uma pequena passagem pelos embutidos que já teimavam em me “perseguir”. Como adoro!

Conde

Logo que cheguei no na Vinícola Condé,  resolvi guardar a bagagem e dar uma volta, parando para comer alguma coisa.

Mas sem antes deixar de reparar no maravilhoso hotel e na grande e linda propriedade que eu estava.

Sacada, um banheiro enorme com banheira e uma vista privilegiada da piscina e do horizonte.

Vista

Decidi ir almoçar (Tardiamente). Junto comigo a Cátia, proprietária da Importadora Wine Lovers.

Entramos no restaurante do hotel e eis que acontece a segunda coincidência. Encontro a mesma japonesa com quem estive no grupo da Toscana, visitando produtores e provando vinhos em fevereiro de 2014. Cumprimentei efusivamente e demos risadas, combinando um encontro no ano seguinte, em fevereiro de 2015, na mesma feira, a Buy Wine.

Prato Conde

Almocei apreciando bastante o prato. A massa era de uma leveza rara, recheada de queijo e ervas e misturada ao funghi porccini que compunha o prato. Para acompanhar, um vinho da própria vinícola, safra 2010, muito agradável e azeite de fabricação própria.

Terminamos o almoço, tomamos um café e saímos para caminhar. Avistamos um pé de caqui carregado de frutas, sentei-me no banco próximo admirando a paisagem do fim de tarde que se descortinava no horizonte, onde o frio já atravessava nossos casacos.

Caqui III

Caqui I

Apanhei dois caquis e comecei a caminhada de regresso ao meu quarto, no hotel que ficava um pouco distante.

Estava bastante cansado, mas estava feliz, afinal eu estava novamente no país que mais amo, a Itália e dentro de um hotel de uma vinícola que era um sonho.

Deitei-me por algumas horas, adormecendo um pouco antes de ir jantar…

 

 

 

Ravin e sua mais recente aquisição: Vinhos do Piemonte de Renato Ratti

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Já faz um bom tempo que conheço os vinhos deste produtor. Sempre me pareceu muito sério e austero.

Em uma de suas citações se percebe isso:

“Qualidade, pesquisa, paixão, respeito pela nossa história e da nossa terra, com uma janela sempre aberta para o futuro, são os princípios fundamentais da nossa filosofia e da expressão dos nossos vinhos”.

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A importadora Ravin traz e representar os vinhos deste produtor no Brasil.

Provei dois vinhos:

1

– Dolcetto D’Alba DOC Colombè 2013:

Da Itália, 12,5% de teor alcoólico. Apresenta cor roxo-avermelhada. No nariz apresenta fruta como cereja e ameixa madura. Em boca tem grande acidez, uma fruta “viva” e muito marcante. Envelhece por alguns meses em tanques de aço inox.

É elegante, jovem, fresco e muito versátil para harmonizações com antepastos italianos, massas ao pomodoro, risotos e queijos de média cura. Faixa de preço R$ 120,00.

2

– Barolo DOCG Marcenasco 2009:

Da Itália, Com 14,5% de teor alcoólico.

Pontuação: Wine Spectator – 90 pontos / Robert Parker – 91 pontos.

Este vinho conquista o paladar com convicção, harmonia e plenitude. O Barolo Marcenasco tem origem bem antiga, data do século 12, quando as videiras de Nebbiolo eram cultivadas na região de “Marcenascum”.

Apresenta coloração vermelho-granado, nos aromas leve toque de alcaçuz e tabaco. Em boca é extremamente elegante, complexo e harmonioso.

É um vinho de guarda que teve passagem por barricas de carvalho por dois anos. Acompanha carnes vermelhas e queijos envelhecidos. Faixa de preço R$ 442,22.

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A Ravin traz não só estes rótulos apresentados, mas outros que podem ser encontrados no site da importadora: www.ravin.com.br

Quem tiver a oportunidade de provar tenho certeza, vai se apaixonar!

 

 

 

 

Florença, vinhos, gastronomia e histórias – Parte I

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Chegada em Florença

Vou iniciar uma série de posts sobre minha viagem a Florença na Itália, relatando um pouco do que foi o encontro de compradores, a feira Buy Wine e contando histórias que vivi nestes dias na Toscana.

Pra começar, desde a chegada e qual era a expectativa que eu tinha sobre os negócios, os vinhos e os produtores.

O voo foi longo e de muita reflexão, afinal sentia uma nova etapa que se iniciava, e o retorno á Itália me trazia lembranças vividas em Florença, no ano de 2002. Estava atento aos sinais da viagem. Oportunidades, vivência, aproximações, novas amizades.

Logo que sentei fui abordado e perguntado se poderia mudar de lugar. Logo me prontifiquei, sem, no entanto, avaliar minha decisão:

Sentei-me ao lado de uma moça com uma criança de um ano no colo.

Não preciso dizer o que se sucedeu depois, cada um pode avaliar. Mas o sorriso da criança e a dedicação da mãe, uma brasileira nascida em Curitiba e casada com um espanhol, me fizeram refletir mais ainda sobre todas as coisas da vida. E eu afirmei em pensamento: Estou fazendo o que meu pai teria feito…

No serviço de bordo da Air France a grata surpresa de poder escolher entre um vinho tinto, o La Vieille Ferme Rouge (já conhecido) e um branco chardonnay, ambos franceses e em garrafa de plástico de 187 ml. Escolhi o branco.

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Fiz uma pequena escala em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle, onde aguardei por mais uma hora e meia a saída, entre caminhadas imensas nos terminais.

De cara um fato inusitado e estranho, quase hilário. Fui ao banheiro no aeroporto e sem mais nem menos uma mulher da limpeza entrou e como se não houvesse ninguém, lá permaneceu entre homens que faziam suas necessidades encabulados. Fiquei sem entender, embora meus olhos pequenos tivessem ficado arregalados. Coisa comum nos dias de hoje? Quem sabe…

Bem, parti para Florença onde fui recepcionado pela organização do evento, já no aeroporto. Lista de convidados compradores, direcionados em grupos para os hotéis determinados. Tudo bem organizado, show!

O meu hotel foi o Adler Cavaliere, localizado próximo á estação de trem e com acesso fácil a qualquer lugar.

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Rio Arno – Firtenze

Após deixar as bagagens, resolvi caminhar pela vizinhança, mesmo cansado, junto com minha amiga e concorrente de trabalho, Jô Barros, outra brasileira presente no grupo de compradores internacionais, grata coincidência!

Nesta caminhada fomos levados a Ponte Vecchio, primeira ponte construída durante a época romana, cartão postal de Florença e bem próxima de onde estávamos hospedados. Algumas fotos pelo caminho e claro, logo veio a vontade de tomar uma taça de vinho e comer um panini original.

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Jô provando o vinho da casa em copo de vidro

Paramos em um local próximo, escolhemos na “vitrine” e sentamos. Tomamos o vinho em copo de vidro, vinho tinto da casa e provamos o panini trazido por um senhor que em minha mente chamava-se Alfredo.

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Alfredo!

Mais uma caminhada já retornando ao hotel, paramos para um gellato. Bem, mas não sem antes comprarmos uma barra de chocolate suíço na linda e maravilhosa loja da Lindt, ao lado do Duomo, uma perdição!

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Sem comentários

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Basilica Santa Maria del Fiore – Duomo

Tinha que me preparar, pois haveria um ponto de encontro no hotel que levaria á todos, ainda naquela noite para a apresentação e recepção da Buy Wine.

Fui tomar banho…

World Wine Experience, um mundo de vinhos e sensações!

Na segunda feira (16/04) estive na Casa Fasano, á convite da World Wine, para o seu tão esperado evento do ano, em um mês que tivemos muitas novidades e muitos, mas muitos vinhos de qualidade.

Começando pela organização do espaço, que foi impecável, e caminhando para o salão de degustação, tudo, mas absolutamente tudo estava em ordem. Na sala contígua, petiscos variados, queijos e frios, entre outros, contrabalaçavam os vinhos em cada momento.

Evento bem organizado, espaço aconchegante, lugar elegante e principalmente, conforto para se degustar tranquilo.

Os vinhos, de variedades imensas, muitos produtores, muitos nomes (e não só nomes), mas excelentes vinhos para todo tipo de paladar.

Comecei pelos espumantes e fui aos poucos descendo pelos brancos e roses, até chegar nos tintos , tintos mais encorpados, e por último os de sobremesa e vinhos do Porto.

Mas vamos falar dos vinhos.

Billecart-Salmon, empresa produtora de Champagne, com vários prêmios internacionais, que nasceu em 1818 e que já está em sua 7ª geração no comando dos negócios e dos vinhedos.

Provei dois tipos diferentes:

– Billecart-Salmon Brut Reserve, que levou 89 pontos do Parker e 91 da Wine Spectator.

– Billecart-Salmon Brut Rose, que levou os mesmos 89 pontos do Parker e 90 pontos da Wine Spectator.

Aproveitei e provei o Chateau Roubine Cru Classe Rosé, que me agradou muito. Leve, aromático, proveniente da cidade de Lorgues. Um vinho inesquecível ao meu paladar.

Provei na mesma mesa o Franciacorta DOCG Cuvée Brut, do produtor Bellavista, um vinho que é considerado pelos especialistas, como um verdadeiro champagne italiano. Muito elegante, fresco e aromático. Recebeu nada mais, nada menos do que 91 pontos do Parker.

Da Alemanha, impossível não mecionar todos os vinhos deste produtor, Weingut Clemens Busch. Produtor que adota práticas orgânicas a mais de 20 anos, e que nos últimos anos adotou a biodinâmica como prática na condução do plantio e dos vinhedos.

Os vinhos são muito complexos e com grande presença mineral, que expressam o terroir.

Provei quatro vinhos:

-Riesling “Vom Rotem Schiefer” 2006

-Riesling “Rothenpfad” Spätlese 2006

-Riesling “Vom Roten Schiefer” Auslese 2006, de sobemesa

-Riesling “Falkenlay” Auslese 2006, de sobremesa

A empresa está na quinta geração e é um dos produtores de maior ascenção no Rheingau.

Todos os vinhos maravilhosos e imperdíveis.

Da Itália destaco dois produtores, o Feudi di San Gregório, da Campania, e o Castelo Banfi, da Toscana, este último, do qual sou fã incondicional.

Feudi di San Gregório:

Provei cinco vinhos, destaque para os Falanghina e Aglianico Rosado

Castelo Banfi

Provei quatro vinhos, dos sete vinhos presentes para degustação, são eles:

– Rosso di Montalcino DOC 2009

– Brunello di Montalcino DOCG 2006

– Excelsus Sant`Antimo DOC 2007

– Florus  Moscadello di Montalcino DOC 2007 (500ml), de sobremesa

Todos os vinhos pontuados  e maravilhosos.

A lista seria interminável, bem como o evento foi imperdível. Mas no ano que vem tem mais.