Do sonho a realidade: Vinhos da Vinícola Selene

 

Selene 2

No início de dezembro foi lançada em São Paulo a Selene Vinhos, de propriedade do executivo Douglas Silva.

Uma das paixões de Douglas é o vinho (E claro, nossa também).  Em suas viagens internacionais visitava vinícolas e apreciava bons vinhos sonhando no futuro, produzir vinhos com a mesma qualidade dos que experimentava. Este sonho o levou a La Consulta, no Valle de Uco, Mendoza – Argentina, onde acabou firmando uma parceria com a Bodega O.Fournier de Jose Manuel Ortega.

Nesta parceria, Douglas adquiriu o lote do vinhedo e as uvas colhidas se destinariam a elaborar vinhos em pequena escala, com alta qualidade e personalidade, trazendo alegria ao serem degustados; caberia a O.Fournier cuidar da manutenção dos vinhedos e dos processos de vinificação.

O sonho se tornou realidade e os vinhedos de Malbec, Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional transformaram-se, após muito trabalho e dedicação, nos  vinhos apresentados por Douglas e Jose Spisso (enólogo da O.Fournier) e que descrevemos aqui em nosso post.

O nome Selene foi inspirado na mitologia grega e significa “Deusa da Lua”, com suas fases e luminosidade.

Selene 1

Os Vinhos:

– Selene Malbec 2014: 100% Malbec – teor alcoólico 14,9%. Solo aluvial e calcário, vermelho rubi, estágio de três meses em barricas.

Vinho jovem, fresco, elegante, taninos macios. Preço sugerido: R$ 66,90

– Selene Reserva 2010: Um corte 40% Malbec, 40% Tempranillo, 10% Cabernet Sauvignon e 10% Touriga Nacional – teor alcoólico 15,2% – estágio de doze meses em barricas de carvalho francesas (50% novas e 50% de primeiro uso).

Vinho potente e complexo, apresenta algo de vegetal, seus taninos são elegantes, apresenta-se em equilíbrio com o teor alcoólico. Preço sugerido: R$ 116,90

– Gran Selene Malbec 2010: 100% Malbec – teor alcoólico 14,7% – estágio de vinte meses em barricas de carvalho novas (80% francesa e 20% americana).

Vinho top da Selene, cujo nome remete aos Grand Crus da Borgonha. A meticulosa fermentação resulta em um vinho encorpado, com aromas e sabores intensos e complexos, taninos polidos e elegantes. Preço sugerido: R$ 198,00

Douglas Silva continua a realizar seus sonhos e agora pretende firmar a marca Selene como vinhos exclusivos de alta gama no Brasil, na Argentina e outros mercados, além de lançar novos rótulos.

Informações adicionais e vendas:

www.selenevinhos.com.br

Colaboração: Eduardo Morya

 

Força do Terroir da Argentina foi ponto forte em explanações este ano no AWA

Por: Eduardo Morya e Almir Anjos

DSC00085

Este ano a Wines of Argentina organizou pela primeira vez no Brasil o Argentina Tasting Experience (ATE) e trouxe para São Paulo vinhos ganhadores do concurso Argentina Wine Awards (AWA) 2015.

O AWA é realizado desde 2007, premiando a qualidade e a evolução dos vinhos argentinos, com a avaliação de renomados experts internacionais que variam a cada edição e às cegas, classificando as amostras por tipo, variedade e preço.

O evento que aconteceu em São Paulo, muitas foram as palestras e conduzidas por renomados enólogos (Bernardo Bossi Bonilha, Hervé Birnie Scott e Sebastián Zuccardi).

Houve também provas de vinhos realizadas em formato inovador, dinâmico e interativo.

DSC00090

Vale ressaltar a interessante palestra proferida por Sebastián Zuccardi com o tema “Vinhos de Montanha”.

Embora o evento tenha sido realizado em setembro, as informações são precisas e norteiam o que é e será a Argentina nos próximos anos, em se tratando de vinhos.

Sebastián é agrônomo-enólogo da Bodega Familia Zuccardi de Mendoza e grande estudioso da influência do terroir nos vinhos que elabora, definindo locais de produção com rigoroso critério.

Em Mendoza a Cordilheira dos Andes é fundamental para a produção dos vinhos de montanha, definindo um deserto de altitude com baixa pluviosidade. Da montanha derivam as influências sobre o terroir.

O Vale de Uco possui altitudes variáveis de 900 a 1.500 m. acima do nível do mar e esta altitude desempenha papel ativo na temperatura e luminosidade, na água que tem origem no degelo da montanha e no solo de origem aluvial com minerais, areia, limo, argila, cascalho e outros componentes provenientes da montanha, distintos e desuniformes. Estas características marcam profundamente os Malbecs produzidos na região.

Atualmente Sebastián além de outras observações (influência do ser humano definindo os tratos culturais, colheita e vinificação), desenvolve estudos nas áreas de produção da Zuccardi em locais distintos do Vale de Uco (Los Chacayes-1.100m, Altamira-1.100m, San Pablo- 1.400m, Gualtallary-1.255m).

DSC00105

A comprovação das diferenças foi realizada com quatro vinhos da safra 2015 que, engarrafou, utilizou rótulos provisórios e trouxe para serem degustados. Estes vinhos foram produzidos com uvas da seleção dos melhores lotes, com colheita manual, fermentação com leveduras nativas em ânforas de cimento que favorecem a oxigenação. Serão engarrafados em 2016 para comercialização e não devem estagiar em madeira.

Estes quatro Malbecs possuem personalidades bem claras e distintas, com perfis de cores (intensidade, tonalidade), aromas (frutas, flores, especiarias) e gustativos (frutas, minerais, taninos) diferentes, nos permitem desfrutar e comparar regiões, solos e o processo de condução.

Para Sebastián: “O futuro do vinho na Argentina passa pela identidade do lugar”.

Nos vemos no Wines of Argentina (ATE) em 2016. Sempre com novidades!

 

 

Ravin apresenta vinhos chilenos e argentinos de olho no futuro

IMG_2981

A palestra que assisti foi sobre os “terroirs” do Chile e da Argentina e suas particularidades.

Apresentada por Pedro Parra, enólogo com experiência internacional, incluindo seis anos na França. Hoje é consultor renomado e muito requisitado pelo seu trabalho e especialização em “terroirs”, tendo sido considerado como uma das 50 pessoas mais importantes do mundo dos vinhos.

Apresentada também por Sebastian Zuccardi, profissional á frente dos vinhedos da família e um apaixonado pelo trabalho e pelo desenvolvimento do cultivo e estudo dos solos e suas particularidades.

IMG_2988

Não vou especificar todos os vinhos, mas ressaltar alguns que, em minha opinião refletiram o espírito deste trabalho, da busca pelo melhor e diferenciado “terroir”, em cada localidade, e extrair o melhor possível que a terra, o solo, o clima, a altitude e todos os fatores, podem influenciar no resultado em cada garrafa.

Destaco em especial o vinho Pinot Noir Pucalan Single Vineyard 2011, da marca Clos des Fous. Clos des Fous foi a marca desenvolvida para ser de vinhos fáceis de beber, frescos e minerais.

Clos significa “estúpido”, uma forma de caracterizar o projeto, pela busca muito bem definida de fazer um vinho sem as características de um chileno, no Chile. Os traços são de vinhos únicos, com toque francês mas, com uma característica sem dúvida, sem igual, inimitável e muito, mas muito estudada.

Dos seis vinhos provados do Chile, três deles foram da uva Pinot Noir. Apresentaram-se leves, muito aromáticos sendo que boa parte deles ainda não está pronta para consumo, mas já demostram um enorme potencial de guarda, notado desde o nariz, até a parte gustativa e na cor, além de muita complexidade.

IMG_2991

IMG_2995

Com relação á Zuccardi, da Argentina, foram apresentadas as diferenças no “teroir” e a influência em cada localidade, tendo sido apresentados os vinhos da Linha Aluvional, Emma, Zeta e Altamira.

Destaque para o já conhecido Zeta, neste caso da safra 2009 e para o Aluvional La Consulta 2008. Vinhos complexos e com grande capacidade de envelhecimento.

No tempo, quando alguns deles estiverem no mercado, ainda veremos o contar dos anos e a identificação deste amadurecimento nos vinhos.